Série: República da Desigualdade / Meritocracia seja Louvada

Meritocracia e Desigualdade
 

              Em sua série  "República da Desigualdade - Meritocracia seja Louvada" o artista debate o lema de uma sociedade que acredita na meritocracia como a solução para a pobreza, a fome e a falta de oportunidade, destacando a meritocracia como uma ilusão. A desigualdade social Brasileira é uma raiz profunda que estrutura o país que conhecemos, seja ela econômica ou de renda, desigualdade de oportunidades, a desigualdade racial (e tantas outras desigualdades) que dizem muito sobre o nosso passado e sobre como construiremos um futuro.

 

             Ao abordar esse tema o Artista traz à tona memórias autobiográficas da sua relação com a desigualdade, especialmente pela pobreza e os traumas familiares que viveu na infância, as tramas sociais e individuais se misturam na construção dessa série revelando o tecido social brasileiro e as suas contradições. 

 

             As Imagens que ilustram os trabalhos  são derivadas de fotomontagens, fotografias de arquivo nacional, fotografia autoral e registros da infância do Artista.  As fotografias (11cmx25cm) se “vestem” da carga simbólica da cédula de 100 Reais e do valor de "0 Real", uma metáfora direta à promessa ilusória da meritocracia. A obra usa como significado a dicotomia do “real e o irreal” ou a “promessa e a ilusão” ao criar uma moeda  maior do que o tamanho original e que  possui um dos lados vazios.

 

             O Brasil foi construído sob o alicerce da Desigualdade e aprendemos a normalizar isso como parte de nossa “alma brasileira”,  a meritocracia é um mito original que sustenta esse pilar, especialmente após a independência do nosso território.  Na república da desigualdade vivemos com a promessa que nunca se cumpre e a espera de um futuro que nunca chega. Mergulhando nesses  temas a série  iniciada em 2018 e  finalizada em 2020 ( quando a pandemia da Covid-19 assola o Planeta e a Desigualdade volta a crescer absurdamente no Brasil).

             Hal Wildson acredita na arte como uma forma de denúncia, mas também como projeto da construção de um futuro mais justo. No verso “vazio” de cada cédula-fotográfica o artista escreve - utilizando a datilografia- frases de sua autoria e trechos de seu diário criativo, pensamentos que o direcionam para um caminho de reflexão e de esperança.