Anistia da memória

Anistia da Memória 
 

A forma como vemos o passado, compreendemos o presente e o que projetamos para o futuro está intrinsecamente ligado à memória. Quem tem o poder nas mãos escolhe a sua forma de “rememorar” ou de “Esquecer”, assim,  a história contada e projetada em sua versão dominante , é  a história dos vencedores.  O Brasil que conhecemos ( a Identidade que nos determina como povo), é forjado através  do signo da anistia, definitivamente o Brasil é feito de tudo que esqueceu. A violência escravista e o genocídio indígena foram “perdoados” sob à luz do esquecimento e incorporados na estrutura do estado Brasileiro, formas de violências que construíram nossa sociedade. 

 

Nesse projeto artístico proponho uma reflexão sobre o arquivamento da memória para as gerações futuras e o seus apagamentos. As lembranças e os esquecimentos, as memórias individuais e  as memórias coletivas e sociais  fazem parte dessa disputa que potencialmente ditam o caminho das futuras gerações: a memória é um lugar de luta.  Estamos construindo uma narrativa memorial de forma justa e democrática  ou  mais uma vez estamos reproduzindo uma memória  que se sustenta na desigualdade e no apagamento de minorias? 

 

Na história da humanidade todos os regimes opressores se fortaleceram por meio de  “projetos de esquecimento”: censuraram artistas, queimaram livro, calaram pessoas, silenciaram ideias, por que um povo sem cultura/ sem memória é mais fácil de ser dominado, é na memória que plantamos a semente do futuro. Mas, como construir um futuro para o Brasil se ainda sequer conhecemos nosso passado? Como prosperar como povo se o que nos define é o atraso do esquecimento?   Toda  memória é um campo de batalha e um canteiro de obras, sob sua força se destrói o mundo que inventamos ou se constrói o mundo que queremos.